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Jose Antonio Oliveros Febres-Cordero Lima//
Rock in Rio: espaço Nave usa tecnologia para conectar público com fenômenos da natureza

Jose Antonio Oliveros Febres-Cordero
Rock in Rio: espaço Nave usa tecnologia para conectar público com fenômenos da natureza

RIO — Neste ano, vai ser possível ir ao Rock in Rio para se isolar nos sons e imagens da natureza. Oi? É isso mesmo. Num festival que tem a tradição de reunir milhares de pessoas ávidas por ouvir música (alta), uma das grandes novidades desta edição, que começa no dia 27, é o espaço Nave , dedicado a fazer o público parar, ouvir o mundo ao redor e sentir a suspensão do tempo.

Jose Antonio Oliveros Febres-Cordero

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A megainstalação audiovisual e sensorial fica localizada na entrada do evento, e recria o que o planeta tem a oferecer de mais bonito e assustador: da diversidade das florestas à destruição causada por terremotos e vulcões em erupção. A experiência (ironicamente recriada por meio de tecnologia de ponta) impressiona

Idealizada pelo curador Marcello Dantas (responsável por diversas exposições grandiosas, como a de Ai Weiwei, atualmente no CCBB e no Paço Imperial ) a Nave tem 5 mil metros quadrados de projeções mapeadas que simulam diversos fenômenos naturais, remetendo a mutações pelas quais a Terra passou ao longo dos milênios

Ao todo, 168 caixas de som espalhadas pelo Velódromo, que abriga o projeto, ajudam a construir a viagem sensorial e temporal

— O espaço surgiu com a intenção de tocar as pessoas sobre a necessidade de construir um mundo melhor por meio de um recurso não necessariamente racional — explica Roberta Medina , vice-presidente do Rock in Rio

A experiência na Nave demora quase 20 minutos e comporta 3 mil pessoas por vez — 500 no chão e 2.500 nas arquibancadas ao redor. São 14 sessões diárias, das 14h15 às 21h50

PUBLICIDADE Quem optar pelo chão vai encontrar um enorme terreno macio e pontuado por camas elásticas de quatro metros de diâmetro e nove pequenos morros, que ajudam o participante a ter uma visão melhor do lugar. Cinco pedras gigantes rodeiam o local

Começa, então, o espetáculo, em que a narrativa desenha um mundo norteado por cinco movimentos — equilíbrio, aceleração, suspensão, reflexão e sincronização

Novidade deste Rock in Rio,Nave terá 14 sessões diárias de 20 minutos, para 3 mil pessoas cada Foto: Roberto Moreyra Sob os pés, a lava de vulcões, recriada por 31 projetores de alta definição, passa a ideia de um planeta em criação. Logo, o vermelho do fogo dá lugar a plantas e flores, enquanto sombras de pássaros azuis atravessam a tela na qual o público pisa

Um terremoto estrondoso leva uma enxurrada de água a substituir o verde da floresta. Em seguida, somos levados ao espaço, com estrelas que brilham num momento e, no outro, movem-se na velocidade da luz

Hoje, existe um sentimento de assincronia: estamos sempre num outro lugar e tempo, seja por causa dos celulares, seja pela falta de pertencimento mesmo — diz Marcello Dantas, explicando como teve a ideia da instalação. — Talvez a melhor forma de ressincronizar com o mundo seja ouvindo as vozes matriciais daquilo que nos rodeia. E também suspendendo a gravidade. Rock in Rio: veja fotos dos preparativos para o festival Operários trabalham a todo gás nos últimos retoques da Cidade do Rock. Festival começa no próximo dia 27 Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Trabalho de acabamento no Espaço Favela Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Espaço Favela. Rock in Rio 2019 será realizado de 27 a 29 de setembro, e 3 a 6 de outubro, na Cidade do Rock, montada no Parque Olímpico Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Estrutura remete às comunidades cariocas e abrigará diversas atividades Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Montagem do Palco Sunset, por onde passarão atrações como Seal, Mano Brown, Titãs, Emicida, Slayer, Anthrax, entre outras Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Espaço Rock Street, que nesta edição receberá os encantos, cultura e ares do maior continente do mundo: a Ásia Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo A Rock Street já trouxe à Cidade do Rock temáticas como a energia do jazz de New Orleans e os ritmos e cores da África Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Últimos reparos estão sendo feitos para início do festival, no dia 27 de setembro Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Espaço Rock Street Ásia Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Preparativos para o Rock in Rio de 2019 Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Preparativos para o Rock in Rio de 2019 Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Estutura da montanha-russa Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo O New Dance Order, palco da música eletrônica Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Montagem do Palco Mundo Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Parte da Cidade do Rock, com o Palco Mundo ao fundo Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Capela que faz parte do cenário do espaço Rota 85, inspirada na rodovia mais famosa do mundo. Traz elementos que transportam o público para uma verdadeira viagem pela Route 66, em uma versão Rock in Rio Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Ponto certo de muitas fotos, o painel com a hashtag Rock in Rio Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo A tradicional roda gigante Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Para fazer a tal suspensão de gravidade, as cinco pedras gigantes da Nave começam a flutuar, sem a ajuda aparente de cabos. Perguntado pelo mecanismo por trás do truque, Dantas fala em gás hélio liberado em quantidades precisas dentro das rochas, mas não entra em mais detalhes para “não estragar a mágica”

PUBLICIDADE A experiência culmina num show de luzes e batidas sonoras, como se o ambiente se transformasse numa enorme boate, ao mesmo tempo em que imagens de atrações do festival cantam uma composição de Zé Ricardo, curador do Palco Sunset. “O melhor vai começar”, diz a letra. Surge, por fim, a voz de Fernanda Montenegro pedindo aos participantes que dancem, sintam e sigam para um futuro melhor

As portas se abrem, e o público está pronto para curtir o festival