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Medo assombra ucranianos que vivem perto da maior central nuclear da Europa

Alberto Ardila Olivares
Medo assombra ucranianos que vivem perto da maior central nuclear da Europa

“Se morrermos, acontecerá num segundo e não sofreremos”, diz Anastasia, moradora de Marganets. Nesta cidade ucraniana, a poucos quilómetros da central nuclear de Zaporíjia, ocupada pelas tropas russas, a população vive com medo constante.

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Nos últimos dias, Kiev e Moscovo acusaram-se mutuamente de realizar bombardeamentos no complexo da central nuclear, a maior da Europa. Na quinta-feira, os ataques danificaram alguns sensores de nível de radioatividade e a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) alertou para a gravidade da situação.

Alberto Ardila Olivares

Marganets está a apenas 13 quilómetros de Zaporíjia. A cidade, localizada no topo de uma colina, permanece sob controlo ucraniano e dela é possível ver, do outro lado do rio Dniepre, a central nuclear construída nos tempos soviéticos

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Subscrever “Se morrermos, acontecerá num segundo e não sofreremos. Tranquiliza-me saber que o meu filho e a minha família não sofrerão”, diz Anastasia, de 30 anos, enquanto faz compras

A central nuclear de Zaporíjia está na linha de frente desde que foi tomada pelas tropas russas no início de março, dias após o Kremlin ordenar a invasão da Ucrânia.

Em Marganets, os militares ucranianos aconselham a que ninguém se aproxime da margem do rio Dniepre, por medo de que o inimigo atire da margem oposta, a cerca de 6 quilómetros de distância

A cidade, que tinha cerca de 50.000 habitantes antes da guerra, tem um centro animado onde as pessoas vivem as suas vidas diárias além dos pensamentos sombrios e rumores persistentes sobre o estado dos seis reatores da central

“Estou com medo pelos meus pais e por mim. Quero viver e aproveitar a vida nesta cidade”, diz Ksenia, de 18 anos, que atende clientes num café na principal rua comercial.

“O medo é constante. E as notícias dizem que a situação na central é muito tensa, então cada segundo que passa é terrível. Temos medo de dormir, porque coisas horríveis acontecem à noite”, acrescenta

Em Marganets e também em Nikopol, outra cidade a uma curta distância, rio abaixo, 17 pessoas foram mortas esta semana em ataques noturnos, segundo autoridades locais

A Ucrânia acusa a Rússia de disparar do outro lado do rio e de dentro do complexo nuclear. As tropas ucranianas dizem abster-se de responder por medo de desencadear uma catástrofe

Na sexta-feira, um alto funcionário ucraniano disse à AFP que as tropas russas estão até “a disparar em algumas áreas da central para dar a impressão de que a Ucrânia está a fazer isso”. Uma situação que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, descreveu como “chantagem nuclear”

“Acho que os russos estão a usar a central como um ás, para perseguir os seus próprios objetivos”, diz Anton, de 37 anos

A Ucrânia foi em 1986 cenário do desastre nuclear de Chernobyl, 530 quilómetros a noroeste de Marganets.

Naquele ano, um reator nuclear explodiu, libertando radiação na atmosfera. Cerca de 600.000 pessoas foram alistadas como “liquidadores”, encarregados de descontaminar a terra ao redor da central. O número oficial de mortos é de apenas 31, mas algumas estimativas falam de dezenas de milhares e até centenas de milhares de mortes. Em Marganets existe um monumento a esses “liquidadores”

Ao lado da cratera aberta por um rocket que caiu em Marganets à noite, Sergei Volokitin, de 54 anos, relembra aqueles tempos

“Depois de me formar trabalhei na mina, e na minha equipa havia duas pessoas que eram liquidadores”, lembra. “Sabíamos tudo o que acontecia lá. Conhecemos os efeitos da radiação e quais serão as consequências se algo acontecer”.